Quando o silêncio fala!

“Bom é aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” (Lm 3.26)

Quem em algum momento não silenciou ante a um questionamento? Tal comportamento é aceitável e natural. Em algumas ocasiões, somos inopinadamente indagados, e, por não termos uma resposta imediata, preferimos elegantemente postulá-la, objetivando o aprofundamento analítico e depois responder. Isto significa sabedoria e prudência. Pv 12.13,18; 17.27; Tg 1.5.

O vocábulo silêncio advêm do latim, silentium, que significa: estado de quem se cala ou se abstém de falar; recusa de falar. Quando silenciamos perante uma interpelação, e, o fazemos como resposta, não significa necessariamente, que estamos concordando ou não. Neste caso, poderá ser entendida, como uma pausa, tencionando, uma analise aprofundada e pormenorizada do assunto. Isto é prudência. Pv 10.19.  O termo silêncio ocorre 694 vezes na Bíblia Sagrada.

Em hipótese alguma, não devemos de modo precipitado, fazermos uma leitura de que, a ausência de resposta automática caracterize-se fuga ou esquivo. Redargüir a uma pergunta dependerá do momento e da ocasião propícia. Pv 25.11; Ec 3.1-8.

É fato que o silêncio, em algumas ocasiões, tendência a ser um instrumento de defesa diante de questionamentos. No aspecto forense, é prerrogativa do suspeito ou acusado (a), manter-se calado diante de uma autoridade policial, preferindo, posteriormente, falar em juízo. Já em audiência judicial, na presença e orientado pelo advogado de defesa, fará, oportunamente, sua apologia. Esta é uma ferramenta democrática, permitindo assim, a livre defesa. Ninguém deve ser coagido a falar.

Por outro lado, não se deve tagarelar. Tal comportamento prejudicará no futuro. Aprender a falar no momento certo é um exercício e um desafio diário. Uma maneira de evitar falácias, abusos de linguagens, frear palavras é aprender a ouvir mais. Não se deve falar, sem antes ouvir a exaustão. Quando ouvimos algo, precisamos com prudência e sabedoria, periciar as informações sua fonte e origem. Elas são fidedignas e confiáveis?  No âmbito pedagógico é preciso escutar bem, e responder certo. Dentro deste parâmetro, adotando esta postura, policiaremos nosso vernáculo e evitaremos precipitações. Tg 1.19.

Especificando as relações interpessoais, a compreensão e aplicação de palavras, devem ser de natureza prudencial e criteriosa. A comunicação entre os envolvidos requer cuidado rigoroso. Às vezes as boas amizades são desfeitas por falta de atenção com as palavras. Casamentos se envolvem em crise de relacionamento pelas palavras inadequadas. Oportunidades profissionais se vão por ausência de vigilância. As palavras são um espelho do nosso interior. Elas fazem parte de nossa conduta comportamental. Prefiro a sapiência do silêncio, que a imprudência das palavras.

Em fim, devemos cuidadosamente, usufruir deste mecanismo de resposta (silêncio), quando, julgarmos necessário. Toda resolução sábia passa pela analise do silêncio. Desprezar esta oportunidade é jogar fora o saber. É virar as costas para singular e mister introspecção que carecemos em nosso cotidiano. A ponderação diária é necessária para um esvaziamento interior. De modo que, antes de falar, reflita nas conseqüências. Mt 15.18; Tg 3.1-18.

Que Deus nos ajude. 1 Ts 5.25

Colunista: Janilson Lima