Acertos e erros, uma analise.

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” (Jo 7.24)

“O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente…” (Na 1.3)

Os acertos desencadeiam os aplausos, os erros resultam em punição. Esta visão é natural e compreensiva. Isto é fato. Todavia precisamos ter a capacidade e humildade de reconhecer. Quando fazemos ações corretas, repleta de equidade, a aceitação e o reconhecimento é automática e natural. Somos agraciados e elogiados. É o apogeu do comportamento. O atestado de conduta ilibada é notório, os bons comentários logo surgem. Diurnamente nos esforçamos para manter a postura serena, atos prudentes, reações sábias, gestos simples, objetivando agradar a todos, naquilo que é factível. Refletimos e nos policiamos. Tal atitude não busca a inerrância, a perfeição, porém devemos se conduzir diante da sociedade da melhor maneira possível. Procurando obedecer aos ditames das leis vigentes, reivindicando as prerrogativas e cumprindo os deveres previstos constitucionalmente.

O verbete julgar significa decidir, pronunciar, emitir, supor, considerar, imaginar, resolver, avaliar, ajuizar.  Este verbo aparece na Bíblia, 1.201 no Antigo Testamento e 576 no Novo Testamento. É uma tarefa árdua, difícil, complexa, mas fundamental e necessária para exercer a ordem, a disciplina e harmonia interpessoal. Este recurso aplicado com sapiência e justiça culminará em boas práticas, na reverência recíproca e no convívio apaziguado. Ninguém está isento de juízo. A observância às regras civis definidas, o respeito às instituições legais é fundamental. O instrumento e a peça de analise é indubitavelmente o comportamento.

Diversos e diferentes fatores devem ser apreciados. Ver as motivações é mister. Nada justifica os erros. O veredito e a atribuição de culpa passam antes por pericia profunda. Se possível uma acariação entre os envolvidos. Mas caso encontre dolo, deve ser punido. A punição para quem erra, deve servir para aprendizado, maturidade e crescimento. Raramente quem se envolve nesta situação e conscientiza-se de que falhou, evitará a reincidência. Obviamente que os atos errôneos são facilmente percebidos. Entender que errou é um gesto nobre, se arrepender é um aprendizado, confessar é inteligente e mudar de atitude é sabedoria.

Embora que a visibilidade do erro, é inquestionavelmente contemplada e comentada, mais que os acertos, ambas merecem ponderação exaustiva. Visto que cada caso tem sua particularidade. Quando erramos, tal gesto não invalida os acertos praticados. Os acertos se constituem méritos, portanto são inapagáveis e memoráveis. Todavia os erros, de modo cirúrgico, devem ser separados e diferenciados. Entretanto o julgamento não deve ser perpetuo. Considerando que somos passivos de equívocos e iniquidades, a disciplina punitiva visa restaurar o bom caráter, devolver a lucidez, a saúde comportamental.  A ausência de vigilância de nossos atos nos fará em algum momento circunstancialmente erramos. Evitar isto é o caminho natural (Pv 19.2).

Por fim, quando se julga alguém é embasado em seus predicados. Errou independente de quem seja dever ser imediatamente corrigido. Quando punido, não devemos abandoná-lo. Orar, acompanhar, visitar são ações indispensáveis. Um gesto de grandeza e de complacência. O objetivo primordial e cêntrico da punição é ressocializá-lo. Dá-lhe uma nova oportunidade para seguir adiante (Hb 12.5-12). Ninguém é infalível (1 Jo 1.10). Assim sendo os nossos acertos e erros devem ser analisados, antes de serem devida e merecidamente julgados.

Que Deus nos ajude. (1 Ts 5.25)

Colunista: Janilson Lima