NÃO O ACHARAM

Correram para aquele culto. Procuraram-no no meio dos cânticos; procuraram-no entre os partícipes; procuraram-no no sermão e nos avisos. Não o acharam.

Correram para aquela vigília. Procuraram-no entre os que se punham de joelhos; procuraram-no nos lábios dos que torciam as frases e diziam coisas desconexas; procuraram-nos entre aqueles que choravam e gritavam. Não o acharam.

Correram para a obra social. Procuraram-no nos que distribuíam comida; procuraram-no nos que cantavam e distribuiam santinhos; procuraram-no entre os que se serviam do pão e da sopa da noite. Não o acharam.

Correram para a procissão. Procuraram-no entre os que carregavam o andor com a imagem de escultura; procuraram-no nas rezas e nas ladainhas cantadas pelos que caminhavam com velas na mão; procuraram-no nos objetos religiosos. Não o acharam.

Correram para a marcha. Procuraram-no no trio elétrico que conduzia músicos e apóstolos; procuraram-no entre os que falavam de tudo pelo microfone; procuraram-no entre os que faziam as salvas circularem. Não o acharam.

Então voltaram ao escritório central e deram o parecer: “Por mais que o buscássemos, por mais que os nossos detetives tenham investigado, por mais que tenhamos contemplado os lugares onde ele supostamente pudesse estar, não achamos sequer um vestígio de sua presença. Nossa conclusão é única: ELE NÃO ESTÁ LÁ”.

Sim. Ele desapareceu.

O púlpito da igreja, construído para que a Sua Palavra fosse proclamada aos que se dispusessem a ouvi-la, agora é utilizado para falar de futilidades, de política, da venda de produtos, da vanglória dos ministérios, dos cursos de auto-ajuda, de prosperidade financeira e da jactância dos que procuram um entretenimento barato, possível e jactancioso.  Jesus não está mais ali.

As vigílias de oração, constituídas por quem anseava buscar a Deus com dedicação, com tempo de qualidade e com muita confiança no Pai Celestial, no poder do Espírito Santo, não se reúne mais em nome de Jesus, mas em nome do apóstolo impostor, no nome do Espírito Santo (cujo verdadeiro objetivo nunca foi esse, mas sim glorificar ao nome de Jesus Cristo). Reúnem-se para ostentar poderes sobrenaturais, para sacrificar e simular sofrimentos com o fim de verem suas preces atendidas, não confiando na graça absoluta de Deus. Jesus Cristo é quem menos importa nestas vigílias, usado-O apenas como fórmula em suas frases de efeito. Jesus não está mais presente ali…

As obras sociais, como expressão de amor reagente (nós O amamos porque Ele nos amou primeiro e, consequentemente, devemos amar o próximo com a nós mesmos) tornou-se ostentação de suposta bondade e virtude, ou de chamarisco de ofertas (olhem como nós somos bons com os carentesc e invistam em nós!), ou de busca de pontos na eternidade (salvação pelas obras). Verdadeiras empresas são montadas com a finalidade do suposto bem e o que menos importa é o que deveria gerar a boa obra (fazê-lo como se estivéssemos fazendo por Jesus). Ele também não está ali.

A procissão, tão comum entre aqueles que tentam adorar a Deus sem observarem o que o próprio Senhor ensinou em Sua Palavra (não farás imagens e nem lhes prestará cultos), transformou-se em festejo público, em ítem de turismo urbano, em festa de calendário religioso e em ostentação pública de tradição, de família e de suposta religiosidade (as mãos que levam a imagem são as que conduziram as baterias da festa da carne, o Carnaval). Ali, sob um clima de morte (pois as imagens estão inertes) o povo ostenta uma fé que não traz vida, só traz lembranças de como seria bom se fosse real, ídolos que precisam de braços para erguê-los, uma autêntica fantasia humana. Jesus não estava na procissão.

Também não estava na marcha, ainda que se chamasse “PARA JESUS”. Não era para Ele. Era para o apóstolo fajuto, para o candidato ao cargo público, para a gravadora gospel vender cds, para entrar no livro dos recordes como a maior do mundo, para fazer o povo brincar e dançar e mostrar à cidade um entretenimento mais saudável, para justificar a existência das seitas ali propagadas, para gerar lucro aos vendilhões da fé e às cidades que a abrigam. Há glória para as denominações, para as bandas, para os falsos apóstolos;só não há glória para o Jesus verdadeiro, o da Bíblia e da história!

Sim. Ele tem estado ausente. Aliás, talvez esteja ausente da vida de algum leitor, quando não O honra com a sua obediência à Palavra, quando não dedica parte de seu dia à oração e à leitura da Bíblia, quando não congrega junto com o Seu povo, mesmo que numa pequenina congregação verdadeira, quando não testifica da salvação àqueles que ainda não a experimentaram. Infelizmente Jesus não está presente na casa de muitos que se dizem do Senhor. Ele não se faz presente na briga constante da família, nos gastos exagerados, nas dívidas contraídas pelas más decisões e nos costumes que não são compatíveis com a Sua vontade. Ele não está presente nas televisões e nos celulares de gente que não vive para ele. Mesmo que se chamem cristãs, mesmo que sejam religiosas, mesmo que falem o tempo todo o Seu nome. E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? (Lc 6:46). Quem devia ter Jesus não tem e tem provocado escândalo: Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. (Rm 2:24).

À propósito, estaria Jesus aí com você?

 

 

 

Wagner Antonio de Araújo

 

 

Colunista: Socorro Macêdo