PARÁBOLA DAS TRÊS ÁRVORES

O Dr. João Lavoura chegou ao bairro munido de três vasos. Pelo megafone do carro convidou os moradores para receberem gratuitamente uma muda preciosa da planta que trazia. Três pessoas se apresentaram. Ele foi ao carro e cuidadosamente retirou os três grandes vasos. Eram umas arvorezinhas já formadas, com alguns botões de flores e uma ou duas frutinhas penduradas. Ele colheu-as e deu-as aos voluntários, que se espantaram pelo maravilhoso sabor que tinham.

 “Amigos, estou lhes presenteando estas árvores. Dentro de um ano voltarei para ver como elas estão. Tudo o que precisarão fazer é regá-las todos os dias e arrancar as ervas daninhas que aparecerem. Comam das frutas à vontade. Se quiserem transplantar para a terra, façam-no. Quanto mais cuidarem, quanto mais frutos apanharem, mais elas produzirão. Aquele que tiver a árvore de melhor porte terá uma recompensa. Os demais só terão a árvore. Adeus”.

 Os voluntários levaram os vasos para as suas casas. Nos primeiros dias os cuidados foram constantes. Todos transferiram as árvores para o quintal de suas casas. Regavam-nas na hora certa e tiravam o mato quando aparecia. As árvores floriam e frutificavam. Dava gosto ver a produção.

 O tempo foi passando e as diferenças foram surgindo no comportamento dos voluntários.

 O primeiro deixou de regar a planta todos os dias, conforme recebera instruções. A árvore foi enfraquecendo a cada dia. Ele passava por ela uma ou outra vez na semana e tirava o mato que crescia. Depois esqueceu de sua existência. A planta tornou-se infrutífera.

 O segundo regava a árvore quase sempre. Às vezes até mais do que o necessário.. O mato, entretanto, crescia a olhos nus. Ele não o arrancava, pois temia estragar alguma raiz da árvore. Logo alguns parasitas instalaram-se no tronco e dominaram a rama da árvore. Ela não cresceu mais e foi dominada pelo sufocamento de folhas do matagal ao redor. O voluntário abandonou-a ao léu.

 O terceiro fez tudo certinho. Regava todos os dias. Pela manhã a regava com cuidado, bem como de tardezinha, quando chegava do trabalho. Com o olhar atencioso observava o mato que aparecia ao redor e arrancava a todos eles. Percebera uma praga de cochonilhas e os pulgões de insetos; fez um preparado com vinagre e acabou com o estrago. A árvore crescia. Tornou-se tão frondosa e bela que abrigou diversos pássaros no calor do sol e na escuridão da noite. Os frutos eram tantos que o voluntário não vencia apanhá-los. Ele servia a rua inteira, os parentes e amigos. Era tamanha a abundãncia que vários caiam na terra e davam origem a mudinhas.

 Venceu o ano e o doador veio observar as árvores.

 O primeiro voluntário apareceu e mostrou-lhe a planta. Estava raquítica, fina e sem copa. Não dava flor, não gerava fruto, era uma planta meramente sobrevivente. Então reclamou ao doador:

 “Acho que a planta que o senhor deu veio com alguma doença, algum defeito genético; ela não se desenvolveu. Qual é a minha culpa?”

 O segundo voluntário levou  o doador para ver a sua árvore. Que árvore? Havia apenas um tronco seco no meio do matagal. O capim crescera e as ervas daninhas produziam abundantemente. O cuidador afirmou:

“Eu até que tentei cuidar, mas infelizmente o mato foi mais rápido do que eu. Acabou por sufocar a sua árvore. Poderia me dar outra muda, por favor?”

O terceiro voluntário veio agradecer:

“Dr. João, eu quero lhe agradecer pela muda que me deu. Como é boa! Comi do fruto o ano inteiro! Ela está tão linda que os meus filhos brincam em seus galhos! Foi mesmo uma beleza. Muito obrigado!”

O Dr. João estava feliz. A árvore estava do jeito que deveria estar. Então disse a este voluntário:

“Muito bem, nobre voluntário! O senhor fez muito bem o seu papel! Quero convidá-lo a ser meu sócio. Eu buscava alguém que estivesse grato e feliz pela árvore frutífera que produzo, alguém que a regasse todos os dias e que não deixasse o mato sufocá-la. Os seus vizinhos não fizeram assim; apenas apresentaram-me desculpas e solicitações. As mudas eram idênticas. O problema não foram as árvores; foram eles pela falta dos cuidados necessários. Venha! Venha conhecer a sua nova chácara. Trabalharemos juntos daqui para frente…”

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A árvore é a comunhão com Deus. Fomos agraciados com a mensagem do evangelho. Deus nos buscou em Cristo, trazendo-nos perdão dos pecados e salvação da alma. E propôs-nos uma nova vida de comunhão diária e duradoura. Prometeu frutificar-nos, na medida em que cultivássemos a nossa fé, a nossa devoção, a nossa meditação nas páginas das Escrituras Sagradas.

Alguns, ao receberem a mensagem, ficaram felizes e até se decidiram por seguir ao Senhor. No início tentaram uma comunhão com Deus. Mas o tempo passou e o ímpeto da novidade também acabou. A decisão de ter comunhão foi mero fogo de palha, uma euforia temporária. O resultado não poderia ser outro: jamais saíram da estaca zero; tornaram-se eternos bebês recém-nascidos. Jamais se apropriaram das promessas, jamais conheceram perfeitamente a Deus. Além disto, consideraram que o problema que tinham era culpa de Deus, pois a fé que parecia terem não dava fruto.

Outros que também receberam a mensagem do Senhor também começaram bem, eram honestos e muito empenhados. Mas aos poucos Satanás, o adversário, foi trazendo tudo àquilo que suas almas cobiçavam e que certamente mataria a sua fé. Os que tinham vidas anteriormente promíscuas foram aos poucos retornando ao pecado. Os que eram escravos dos vícios (bebida, cigarro, drogas, pornografia) regressaram às velhas práticas. E aqueles que haviam abandonado os seus ídolos regrediram na fé, retornando à antiga consulta de horóscopos, de espíritos, de gurus, de signos, de ciganas, de vãs filosofias. O que restou foi um restolho monstruoso, que tem o nome de Cristo, mas não tem vida alguma, uma fé seca e morta, talvez envernizada, mas absolutamente inexistente.

Finalmente, há os que receberam com alegria a muda e decidiram cuidar dela com a simplicidade com que foram orientados: regar a fé e cuidar para que as ervas daninhas não tomassem conta. E assim fizeram, com constância e determinação, com resignação e consagração. Buscaram a Deus todos os dias, oraram mesmo quando não tinham vontade; fizeram da Bíblia o seu livro de cabeceira e procuraram viver a fé que receberam. O resultado foi a abundância constante do fruto desta comunhão: paz com Deus, alegria infinda, felicidade e domínio próprio.. Para eles não houve tempo ruim. Para eles as lutas de agora não se compararam com a felicidade que sentiram com Cristo e com a certeza de uma vida plena no Céu. Estes são os aprovados!

Somente estes realmente foram salvos. Somente estes terão parte na chácara do céu, na Nova Jerusalém. A verdadeira fé gera a verdadeira comunhão.

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 Amigo leitor, eu poderia forrar esta parábola com dezenas de textos bíblicos, mas creio que os leitores já sabem quais são eles. Eu pergunto: que tipo de voluntário é você? Seria do tipo que recebe a fé e não a rega, mantendo-se um bebê espiritual para sempre? Ou seria alguém do tipo que deixou o mundo e os seus cuidados sufocarem a nova vida que pensou ter? Ou será você alguém do tipo verdadeiro, cuja fé reproduz-se dia após dia com o fruto de uma nova vida? Que Deus o ajude a ser alguém do tipo que irá morar no Céu, com Jesus Cristo, o dono da comunhão.

 

 

 

 

 

 

 

Wagner Antonio de Araújo

Colunista: Socorro Macêdo