SOBRE O SUICÍDIO

Deus disse: “Não matarás” (Êx 20.13). Todas às vezes em que Ele determinou matar por questões de juízo e de conquista da terra prometida, foram de Sua responsabilidade como criador e, portanto, não imputou a nenhum de Seus soldados algum pecado.  Ele pode fazer o que quiser de Sua criação! Contudo, mesmo naquele tempo, a Sua determinação era de que o assassinato (matar sem ter sido solicitado em guerras do Senhor) fosse punido duramente, quando oriundo de uma decisão humana.

Paulo disse, inspirado pelo Espírito Santo: Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. (1Co 3:17). O templo de Deus, aqui, é a vida de um crente: o coração do salvo é morada do Espírito Santo. Logo, quem mata um cristão está a destruir o templo de Deus e o juízo é irrevogável: será destruído por Deus. Isso pune quem se suicida também, pois está agredindo e destruindo o templo de Deus.

Nunca, em toda a história do cristianismo, e, mormente no período do protestantismo, se admitiu a hipótese de ser o suicídio algo que não correspondesse à absoluta perdição. O foco era Deus e o pecador era o homem. Nos últimos anos, entretanto, com a mudança de ênfase (tirou-se Deus do alvo e colocou-se a satisfação humana), o suicídio obtém a cada novo ato uma nova defesa. A culpa é do estresse, da depressão, dos medicamentos, das pressões. São maneiras de tentar justificar o injustificável. O suicida ignora esposa, marido, filhos, membros da igreja, amigos e pessoas que os admiram.

E quando o suicídio vem da pessoa que ocupa a responsabilidade pastoral, a questão toma um vulto muito maior. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! (Mt 18:7). Quantos familiares de suicidas não se desviam da fé; quantos membros de igreja e cristãos professos não perdem a fé na eficácia da mensagem de vida! E nós, com a visão antropocêntrica da fé, transformamo-nos em advogados de Adão, buscando uma razão para dizer: “o suicídio foi um vacilo divino, pois permitiu que as coisas chegassem ao nível em que chegaram, ceifando a vida da pessoa”. Então, para não dizer isso, falamos: “culpa da família, culpa da igreja, culpa dos traumas emocionais, culpa do remédio”. É a síndrome da serpente, cuja questão não feita continua sem resposta: “serpente, por que fizeste isso?”; “a culpa é Tua por teres me  criado..”. (Palavras não ditas, mas certamente reafirmadas em cada justificativa do suicídio).

Spurgeon, Rubens Lopes, Timofei Diacov, Rivas Bretones, Josué Nunes de Lima, Oswaldo de Miranda, Gorgônio Barbosa Alves e tantos outros homens segundo o coração de Deus jamais justificaram o suicídio ou pregaram qualquer coisa em seu favor. A justificativa para defender ou justificar a prática atualmente está na psicologia alternativa que tomou conta da teologia, buscando razões que transformam a prática em questão meramente de fraqueza espiritual, como qualquer outro pecado.

Irmãos, vamos focar os olhos no Senhor! Ele diz: “Não matarás!”. O Espírito Santo diz: “vós sois templo do Espírito Santo, se alguém destruí-lo, Deus o destruirá!”, e também diz: “Ai dos escândalos!” Se um pastor sente-se depressivo (e que pastor não atravessa momentos de fragilidade), tenha a consciência de ter integridade mental e de fé. Se sentir-se a vacilar, ABANDONE O MINISTÉRIO, pois se a sua falta de foco no Senhor leva-o a considerar o suicídio, não se torne também o destruidor da fé alheia. Afinal, Deus delegou-lhe a mensagem de vida, de esperança, de transformação, e não a mensagem de Satanás (roubar, matar e destruir). Desocupe o posto, não seja usurpador! O púlpito cristão é lugar para os que estão envolvidos com o Senhor da vida, que alertou os Seus servos sobre dores, injustiças, tribulações! Mas prometeu presença e conforto: Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (Jo 16:33)

Basta de contradições! Basta de vermos professores analfabetos, salva-vidas que morrem afogados por não saberem nadar, médicos que têm pavor de sangue, pilotos que não sabem dirigir e crentes (e, para nossa tristeza até pastores) que proclamam o Senhor da vida e encerram as suas carreiras dando glória ao Anjo da Morte!

A salvação eterna de uma pessoa não se traduz num ato iniciático. Este SÓ É VÁLIDO se o decorrer da vida (tenha ela o tamanho que tiver) evidenciar fruto digno de vida transformada (um coração suprido com a presença do Senhor). Nós já sabemos o que aconteceu com a figueira frondosa e sem frutos…

 

 

 

 

Wagner Antonio de Araújo

 

 

 

 

Wagner Antonio de Araújo

 

Colunista: Socorro Macêdo