FAKE CHRISTIANS

Não gosto de usar palavras em outro idioma para comunicar-me em português. Contudo, diante da propagação da expressão “fake news” (notícias falsas), gostaria de refletir sobre a existência de um altíssimo contingente de falso cristianismo no meio da população chamada cristã.

Uma mulher, na Av. Dr. Arnaldo, com o carro todo adesivado com símbolos católicos (terços, Maria, cruz etc), costura no trânsito. Alguém sinaliza que ela está errada. Então essa motorista abre o vidro, xinga, aponta o dedo imoralmente, costura em velocidade e desaparece no meio dos carros.

Um caminhão estampa na borracha próximo às rodas a frase: “presente de Deus”. E em cima, na carroceria, apresenta o retrato de um demônio a gargalhar.

Um conhecido palestrante evangélico, piadista e especialista em casamento, cria uma oração do divorciado, criticando a postura de quem se separa e, em seguida, torna-se padrinho de um pastor que separou-se da esposa e arrumou outra.

Outro, pastor e político, é público defensor da família, troca a esposa por uma cantora, com suspeitas de relacionamento adúltero quando ainda casado.

A outra, dita cristã, desfila nua na escola de samba onde frequenta. E afirma: “Quem me julga é Deus”.

E o outro, cristão confesso, usa as mídias sociais para, além de propagar suas idéias políticas, xingar e falar os mais ásperos palavrões.

Assim diz a Escritura Sagrada: Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. (Rm 2:24)

Este é um tempo de muita retórica, muita bravata, muita arrogância. Mas também é tempo de mentiras, de falsidade, de falta de conteúdo. Professores de português que escrevem “xadreis”, mestres de matemática que não sabem multiplicar; professores de geografia que não conhecem o nome dos países e nem das capitais e cristãos que não conhecem e nem obedecem a Bíblia Sagrada.

Jesus anteviu estes dias. Jesus nos preparou para estes dias também. Olhai por vós mesmos. (Lc 17:3). Paulo disse sobre si mesmo: Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado (1Co 9:27).

Precisamos de coerência. Precisamos de um cristianismo real e praticado. Se assim não for a nossa fé será vã. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. (Mt 7:20).

Não basta ser cristão; é preciso viver como cristão , se parecer com um cristão, andar como cristão. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, (Ef 5:15); Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mt 5:16).

Nós, que odiamos as “fake news”, devemos também odiar sermos “fake christians”. Precisamos praticar o que o evangelho nos ensina. O alto número de filhos que se desviam da fé cristã está intimamente relacionado com o tipo de cristianismo que encontraram em casa: a igreja e a fé não influenciavam no comportamento dos pais; logo, não serviriam para eles. É muito difícil um filho cristão desviado voltar à fé, porque, não raramente (mas há exceções e não é destas que falo!) cresceu no meio de um blefe, de uma fé imaginária que não influenciou no comportamento da família. Esta fé mal vivida não mostrava Emanuel, isto é, Deus REALMENTE presente com Sua graça e glória. Somente a graça poderá resgatar quem bebeu da fonte errada pensando que era certa e decepcionou-se.

Queira Deus que não sejamos enquadrados entre os falsos cristãos, entre aqueles que se identificam formalmente, mas se desqualificam continuamente. Queira Deus que sejamos autênticos, não falsos discípulos do Senhor.

 

Wagner Antonio de Araújo

Colunista: Socorro Macêdo